1) Geração Z lidera intenção de compra de imóveis (59%), mas esbarra nos juros altos

A intenção de compra de imóveis no Brasil segue elevada em 2026, mas revela um desalinhamento relevante para o mercado financeiro: a dificuldade de transformar essa demanda em vendas efetivas. Dados do 1º trimestre mostram que 49% dos brasileiros pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, patamar estável em relação a períodos anteriores e acima do registrado no mesmo momento de 2025. Ainda assim, apenas 9% das famílias efetivamente concluíram uma compra nos últimos 12 meses, revelando um descompasso entre desejo e execução. Ao mesmo tempo, o fator geracional adiciona uma camada relevante à análise: a Geração Z lidera esse movimento, com 59% de intenção de compra, mas ainda com uma conversão baixa. O dado indica que a demanda futura está sendo formada, mas ainda encontra barreiras estruturais, sobretudo relacionadas ao crédito, à renda e à capacidade de entrada, em um ambiente de juros elevados e maior seletividade bancária.

2) BC confirma expectativa, repete dose e corta Selic para 14,50% ao ano, apesar de cenário incerto

Em meio à incerteza com os efeitos da guerra no Oriente Médio, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, de 14,75% para 14,50% ao ano. Nesta quarta, o BC reconheceu piora nos dados recentes de inflação e atividade e elevou as projeções de inflação, mas optou de novo por não dar detalhes sobre os próximos passos no processo de redução a fim de observar os desdobramentos do conflito, que aumentou bastante os preços de petróleo e derivados. Na avaliação da maioria dos analistas, o BC passa um recado de que pretende continuar cortando a Selic ao ritmo de 0,25pp, mas a redução total do ciclo pode ser menor.

3) Guerra no Irã pressiona custos da construção civil e acende alerta no Brasil

A escalada da guerra no Irã já pressiona os custos da construção civil no Brasil, com impactos mais evidentes sobre frete, materiais e equipamentos, ainda que sem sinais, por ora, de desabastecimento. Dados mais recentes do Índice Nacional de Custo da Construção – M, INCC-M mostram uma forte aceleração em abril, com alta de 1,04%, bem acima dos 0,36% registrados em março. O avanço dos custos preocupa construtoras em um momento em que o mercado imobiliário esperava recuperação, sustentada por medidas de estímulo e pela perspectiva de queda nos juros.

4) A cautela do sellside chegou ao Minha Casa Minha Vida

O Itaú BBA disse em relatório que está mais cauteloso com as incorporadoras voltadas ao público de baixa renda, pela maior sensibilidade aos custos de construção, e disse que deve em breve revisar a sua tese para o setor. Com os juros altos restringindo a demanda da classe média, o segmento de baixa renda tem sido há anos apontado como uma bola de segurança para investidores, em razão do déficit habitacional do País e dos subsídios que impulsionam as compras. Mas um dos pontos fracos do segmento é a dificuldade que as empresas têm de repassar aumentos de custos para o preço final ao consumidor. E já há uma percepção entre analistas de que o avanço do preço do petróleo no mercado internacional será sentido nos balanços do primeiro tri.

5) Gestores reforçam monitoramento de obras para conter crise nos CRIs

O crescimento do mercado de capitais e o aumento dos casos de inadimplência e renegociação de dívidas de incorporadoras que emitiram Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) estão levando agentes de mercado a reforçar os mecanismos de controle do andamento das obras e dos fluxos de pagamento. A grande preocupação - especialmente dos gestores de fundos que investiram nos CRIs - está em acompanhar a situação nos canteiros com mais precisão e agilidade, o que permite a busca por soluções antes que os calotes explodam de fato.

6) De escritório abandonado a moradias: retrofit transforma prédio histórico em habitação para aluguel

Localizado nos arredores do Largo São Francisco, no centro de São Paulo, o edifício José Bonifácio 104 foi construído na década de 1930 para receber escritórios. Quase um século depois, o prédio tombado agora carrega marcas de abandono, mas passará por um retrofit para transformar as salas corporativas em 56 apartamentos. O prédio de oito andares deve perder todas as paredes internas para a reorganização dos apartamentos. A reforma envolverá a modernização dos sistemas de elétrica e hidráulica, adaptações estruturais e a demolição de paredes internas. A ideia é converter as plantas abertas dos antigos escritórios em unidades residenciais. O valor total do investimento é R$ 12,5 milhões. A aquisição do ativo de aproximadamente 4 mil metros quadrados custou R$ 3,5 milhões. Outros R$ 9 milhões serão gastos em reformas.

7) Tecnológica norte-americana compra Remax por 750 milhões e cria gigante imobiliário global

A tecnológica norte-americana The Real Brokerage, cotada no Nasdaq, confirmou a compra da Remax Holdings, num negócio avaliado em aproximadamente 750 milhões de dólares, incluindo dívida. A operação marca um movimento estratégico de consolidação no setor imobiliário global, combinando tecnologia digital com uma das redes de mediação mais reconhecidas internacionalmente. O novo grupo, que passará a designar-se Real Remax, reunirá uma rede superior a 180 mil agentes imobiliários distribuídos por vários mercados, reforçando a sua presença tanto na América do Norte como em mercados internacionais.

8) Leis fecham cerco contra desvios da habitação social, mas sobram brechas

A política de habitação social em São Paulo ganhou uma série de leis, decretos e portarias nos últimos anos para coibir desvios na destinação das moradias. No entanto, sobram brechas que dificultam a punição de desvios ocorridos no passado, bem como a fiscalização do mercado atual, segundo advogados. Uma delas é a fiscalização de que tais moradias estejam sendo ocupadas, de fato, pelas famílias de baixa renda. “Se o proprietário e o morador forem fiscalizados e não tiverem a documentação que comprove o enquadramento de renda, vão ter de responder. O problema é como a secretaria vai conseguir fazer essa fiscalização in loco, pois é um número muito grande de moradias”, diz. “Essa é uma grande dificuldade de implementação da política pública”.

9) Melnick e Verde se unem para criar fundo de permuta de terrenos

Uma velha estratégia do mercado imobiliário para enfrentar ciclos de capital escasso está unindo a principal incorporadora do Rio Grande Sul e uma das maiores gestoras de investimentos do País. A Melnick e a Verde Asset estao criando uma linha de fundos focada na compra de terrenos por meio de permutas, como parte do esforço da incorporadora gaúcha para crescer fora de Porto Alegre, onde o crescimento tem sido limitado. O foco das captações será em projetos de alto e altíssimo padrão em São Paulo e Florianópolis. Esse é o primeiro instrumento da gestora integralmente dedicado a financiar essa etapa do desenvolvimento imobiliário de aquisição de terrenos.

10) IGP-M sobe 2,73% em abril e volta a pressionar reajuste de aluguéis no Brasil

A recente alta do IGP-M está diretamente ligada ao cenário internacional, especialmente aos desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, que afetam cadeias globais de energia e insumos. O índice é composto por três pilares — preços ao produtor, ao consumidor e custos da construção — todos impactados por esse contexto. Com o retorno do IGP-M ao campo positivo, o mercado de locação entra em um novo ciclo de reajustes, ainda que moderados neste primeiro momento.